terça-feira, 26 de março de 2013

Brasil, baixo índice de desenvolvimento humano

*Teresinha Machado da Silva

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O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), 85º lugar entre 187 países, é mais uma avaliação que vem demonstrar que o Brasil, com tanta potencialidade em termos de grandeza territorial e riquezas naturais, posiciona-se em patamar inaceitavelmente baixo, constatando que os governantes não estão preparando o nosso país para o real crescimento do ser humano. Ocorrência que está diretamente vinculada à educação com reflexos na qualidade da mão de obra, na saúde, na habitação, na segurança etc.

A propósito do desenvolvimento humano no país, a partir de 1980, ocorreu um avanço; sendo que, nos anos 90, o Brasil constava entre os 15 melhores países, em evolução. O que nos preocupa é o fato de que, depois de um crescimento considerável, desde 2010 o país ter-se mantido inalterável, em termos de IDH.  Há referências, no entanto, de que o país apostou alto no programa Bolsa Família como uma das principais formas de promover a ascensão social de grande parcela da população.

Sem dúvida, melhorias foram obtidas; contudo, como admite o próprio Ministério de Desenvolvimento Social, o programa parece já ter alcançado o máximo que poderia, dentro das probabilidades. Será preciso algo mais substancial e sólido, no sentido de o país galgar maior estabilidade e projeção mundial. E o que deveria ser emergencial acabou se tornando permanente, com gastos sociais extremamente elevados, calculados em R$ 60 bilhões anuais; acrescido do fato de que não podemos aplaudir uma política assistencialista de distribuição de bolsa que desestimula o indivíduo a lutar pela própria sobrevivência e manutenção de sua família.

Outros pontos têm-se destacado com a implantação do referido programa, como exemplo a matricula de 16 milhões de crianças e de jovens. A universalização do acesso à escola, com essa abrangência, é positiva, mas é importantíssimo que seja dado ao aluno perspectiva de futuro. Percebemos que tem havido relativa melhoria na educação, contudo, não podemos fechar os olhos para o fato de que a qualidade de ensino, no país, está longe de alcançar a excelência desejada.

Sob essa óptica, e considerando a necessidade de oferecer ao cidadão condições de prover a própria subsistência e a da família, chega-se à conclusão de que os governos precisam se desprender do sistema assistencialista e implantar, no país, sistema educacional que prime pela qualidade do ensino, de modo a promover o desenvolvimento humano dentro da visão plena de justiça social.  E tal medida só será possível com a ascensão do status do professor, tanto em termos de reconhecimento do valor do seu trabalho como no que se refere ao fator salarial. Baixos salários têm afetado muitas vocações na carreira do magistério, contribuindo para o elevado índice de evasão de bons professores das salas de aula.

Ao tomar conhecimento do Índice de Desenvolvimento Humano, 85° lugar, o governo brasileiro contestou o resultado da avaliação, e reivindica a colocação em 69° lugar, alegando que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), responsável pelo IDH, não usou, nos cálculos, estatísticas atualizadas. Contudo, a nosso ver, ainda se trata de um índice insatisfatório, consequência das condições precárias do ensino nas escolas públicas do país. 

Os diretamente responsáveis pela educação devem seguir os ditames da Presidente Dilma Rousseff, que, em discurso recente, afirmou que o Brasil precisa investir, efetivamente, no professor, tornando-se necessário, também, ouvir os educadores e os interessados nessa área; e avaliar o que os governos das unidades da federação estão, realmente, realizando nesse campo, visto que se não priorizar o ensino de qualidade, em todas as regiões do país, estarão na contramão do desenvolvimento, contribuindo para piorar o quadro da realidade educacional brasileira.


 E o fato de a Argentina, com uma economia reconhecidamente em crise, ocupar 40 posições à frente do Brasil, no Índice de Desenvolvimento Humano, é medida exata do quanto precisamos caminhar para o alcance da melhoria do nosso país nesse aspecto. E a fórmula, para a consecução do patamar almejado, é investir seriamente na educação: na escola e no professor.